sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Mobilização contra as telessalas e a "telefraude"

Clique aqui e obtenha um modelo de abaixo-assinado para coletar protestos contra mais este engodo pseudo-educacional. A Secretaria de Educação não gostará de receber o abaixo-assinado, logo, esta é uma boa iniciativa!

REVISTA ÉPOCA - Salário de professores em Pernambuco é vergonha nacional

Cordel

VIOLÊNCIA LEVA Á MORTE

Escute meu amigo
Escute o que vou dizer
A nação está perdida
Não há mais o que fazer
Entra governo sai governo
E tudo está como está
Do jeito que tá indo
A tendência é piorar
As nações estão se levantando umas contra as outras
A bandidagem está completa
Toda semana tem notícia
No jornal e Linha Direta
Todo dia morre gente
Todo dia nasce gente
O governo nada faz
Ainda dá entrevista todo sorridente
Os traficantes nas ruas
Já não fazem mais segredo
Vendem craque pra criança
Como quem vende brinquedo
A maconha virou vício
A cocaína virou moda
É a maior circulação
Na maioria das escolas...


Este cordel foi produzido pela aluna Luciene Maria da Silva (III fase E.J.A) da Escola Tito Pereira (anexo Esc. São José) em Camaragibe, onde leciono. Pelo exposto fica claro que, apesar do baixo salário e das pésssimas condições estruturais em que se encontram as escolas públicas do Estado (PE), conseguimos produzir cultura e levar aos nossos alunos um aprendizado sério, inclusive com ótimo nível de senso crítico. O presente trabalho foi resultado da Semana de Atividades Culturais coordenada pela profa. Gilcea M.Costa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A questão do H.S.E.

Em plenária realizada pela direção do SINTEPE (23/08/07, Sindicato dos Bancários),estava em pauta a forma de gestão do Hospital do Servidor do Estado e a manutenção da Casa de Apoio/Assepe.Após exaustiva atenção dada à ultima questão,fomos informados sobre as propostas de gestão apresentadas pelo governo do Estado junto ao Ministério Público para o H.S.E. .Segundo o Sintepe,o hospital passsará para a inciativa privada ou será gerenciado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) pois na visão do Estado o hostital por ser público deverá estar aberto à todos e não, a uma parcela da população. Preocupante é saber que uma questão tão polêmica como esta foi pouco esclarecida e debatida com a categoria,não houve divulgação necessária por parte do nosso Sindicato,esta certamente foi a causa do esvaziamento apresentado na plenária passada.Apontam-nos dois caminhos que não nos interessam.Queremos uma terceira via,porque não brigar para manter o que já conquistamos.Se o hospital foi construído com os recursos dos servidores então à eles pertence.

Dia 25 de setembro realizar-se-á no auditório do SINTEPE (9 horas) outra assembléia para discutirmos o destino do H.S.E. Precisamos comparecer e dizer NÃO as propostas ora apresentadas. Abaixo as medidas neoliberais e a ditadura imposta pelo governo à nossa tão sofrida categoria. A nossa união fortalecerá a luta!

Sem saúde

O governo federal conseguiu prorrogar a cobrança da CPMF, que deveria servir para financiar custos com a saúde pública. Além desta fonte, vários impostos pagos por todos nós deveriam também viabilizar os serviços de saúde para todos.

Apesar de tudo isso, hospitais federais estão prestes a passar por um processo de privatização, pois o governo Lula está disposto a alterar a natureza do funcionamento destas unidades médicas, que passarão a ter meios próprios de arrecadar recursos para administrar seus custos e funcionamento.

Esta fórmula também passará a ser empregada por Eduardo Campos, que pretende submeter o Hospital dos Servidores do Estado (HSE) a um processo idêntico. De acordo com os planos governistas, além de pagar o Sassepe, os servidores estarão submetidos à possibilidade de também pagar por custos adicionais pelos serviços do HSE.

"Socialista" privatista é coisa séria!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Lula grevista X Lula patrão

video

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Veja este vídeo e perceba a grande diferença entre o Lula que preside o país e o Lula mostrado nas imagens, liderando trabalhadores em greve. Quanta diferença!

Projeto de Marco Maciel sobre formação de professores também no blog Acerto de Contas

"Um projeto de lei que tramita na comissão de Educação do Senado cria uma residência para professores, nos moldes da residência médica. Seriam 800 horas de prática em sala de aula após a formatura, que se tornariam obrigatórias para a futura atuação dos profissionais nas redes pública e privada do País. A intenção é melhorar a qualidade da formação do professor, principalmente do ensino infantil e dos anos iniciais da educação fundamental."
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Clique aqui para ler na íntegra.

100

Esta é nossa centésima postagem! O blog está sendo produtivo!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Buarque, quem diria, é contra o legítimo direito de greve para os professores!

Paulo Ghiraldelli, doutor em Filosofia da Educação, analisou o conjunto das recentes propostas que o senador do PDT apresentou ao ministro Fernando Haddad e ressaltou algumas observações como as seguintes:


"(...) Buarque, traindo sua consciência política que parecia ser democrática, sugere, através de um plano que seria o dele se ele fosse ministro – e isso é que causa espanto –, a suspensão das greves escolares. Ele diz que deveria haver um 'pacto entre servidores, gestores, professores, pais e líderes políticos' contra as greves. Ora, esse pacto, devo lembrar o senador, já existiu, e ele foi de fato um dos principais elementos de piora do ensino. Esse pacto esteve vigente entre 1964 e 1985. O que ocorreu nesse período, que o senador do PDT não sabe? Simples: houve uma 'revolução' em 1964, implantou-se uma ditadura no país, e ninguém mais podia fazer greve. O instrumento de luta do trabalhador, reconhecido em todo o mundo democrático e, principalmente, reconhecido pelas organizações internacionais trabalhistas em que o PDT é filiado, é desconhecido pelo senador Buarque. Isso, além de ser altamente condenável, deveria bastar para a retirada do senador do PDT, pois contraria as normais doutrinárias do partido. Penso que no Brasil não haveria um partido político que acolheria o senador, pois tal partido deveria, certamente, ser um partido de tendência fascista. Há um partido de tendência fascista no Brasil? Não sei. Mas caso exista, ele apoiará a medida do senador Buarque neste item. O pacto proposto, que fere tudo que se poderia ensinar de democracia ao aluno brasileiro, é digno de uma ditadura de direita. Neste aspecto, o documento se desqualifica".



Leia na íntegra: clique aqui.

Marco Maciel e a residência do professor

Uma pergunta simples

Até o momento, alguém conseguiu perceber alguma espécie de ação concreta do governo que tenha como propósito a garantia de uma melhoria nítida para a educação em Pernambuco?

DOM HÉLDER CÂMARA - o profeta dos pobres

Tributo a Dom Hélder Câmara


Por José Ricardo de Souza
historiador, professor da rede pública estadual, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista
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Um dos maiores desafios para qualquer cristão consiste em praticar os ensinamentos deixados por Jesus. A humildade, o desprendimento pelos bens materiais, a caridade, a busca da justiça, a coragem para denunciar os poderosos e sobretudo o amor a Deus e ao próximo, principalmente pelos mais empobrecidos. Poucas pessoas conseguiram reunir tantas virtudes e ser um anúncio vivo do evangelho como aquele homenzinho franzino de gestos simples e olhar decidido. Parecia um dom de Deus, e não era a toa que todos reverenciavam D. Hélder Câmara, "o amigo dos pobres, meu amigo e meu irmão", como afirmou João Paulo II, quando visitou o Recife.

D. Hélder foi um lutador incansável, um arauto da justiça, um escudeiro da solidariedade. Sua prática missionária sempre esteve voltada para os excluídos, para os pequeninos, para aqueles que não tinham vez, nem voz. Num país subdesenvolvido como o Brasil, as injustiças sociais gritantes revelavam o quanto estávamos distantes do verdadeiro reino de Deus, onde todos tivessem o mínimo para viver com justiça e dignidade. É nesse contexto que surge D. Hélder, um João Batista do nosso século.

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Os tempos eram difíceis como nunca, nuvens ameaçadoras encobriam o sol da democracia. O Brasil era mergulhado num regime de força que os poderosos denominavam como Revolução de 64, mas que hoje sabemos que não passava de uma cruel ditadura. Em meio às perseguições, torturas, censuras, D. Hélder usou seu carisma para defender aqueles que o regime condenava. O Arcebispo de Olinda e Recife desafiava abertamente um organismo perigoso e poderoso, que possuía todo o aparato necessário para calar o bispo, mas que não tinha coragem para atingir uma personalidade reconhecida internacionalmente como D. Hélder. Por isso, liquidaram seus colaboradores, como Padre Henrique, como forma de ameaçá-lo, metralharam sua casa, censuravam seus textos, e o rotularam como comunista, bispo vermelho, subversivo. Tudo isso foi inútil, nada, nem ninguém conseguia calar o bispo dos pobres. Talvez lembrasse Daniel atirado à cova dos leões, Hélder atirado num país miserável e injusto.

A Igreja, aos poucos era engajada na luta por justiça. Sob as luzes do Concílio Vaticano II, das Conferências Episcopais de Medellín e Puebla, a Igreja reconhecia a "opção preferencial pelos pobres" como um caminho para a evangelização latino-americana, era a Teologia da Libertação que dava seus primeiros passos em busca de uma ação pastoral engajada com os oprimidos. D. Hélder teve um papel primordial nesse processo. Sua arquidiocese era um exemplo para os movimentos pastorais do Brasil e do mundo. O povo conscientiza-se e à luz da Bíblia discutiam seus problemas, organizavam-se em grupos e movimentos e acreditavam na construção de um mundo novo sem desigualdades nem injustiças. Era esse o rebanho do pastor D. Hélder, uma massa que sabia aonde queria chegar e acreditava nisso.

Por mais que disfarçasse, a Igreja não conseguia esconder sua face conservadora, tradicionalista, que não via com bons olhos a obra pastoral de D. Hélder, que já idoso requeria uma aposentadoria e abria espaço para a indicação, via Vaticano, de um novo bispo. Foi essa a brecha que os grupos conservadores precisavam. Quando todos imaginavam que D. José Lamartine substituísse D. Hélder, vem a surpresa, o substituto seria D. José Cardoso, de tendência conservadora. E a arquidiocese de Olinda e Recife nunca mais seria a mesma. A obra de D. Hélder foi paulatinamente destruída por D. José Cardoso. Seminários como o Instituto Teológico do Recife (ITER) e o Seminário Regional do Nordeste (Serene) foram fechados, movimentos e pastorais foram perseguidas e expulsas da cúria metropolitana, que funcionava na rua do Geriquiti, padres foram literalmente cassados e impedidos de continuar seu serviço nas comunidades, a exemplo de Reginaldo Veloso do Morro da Conceição, até a Comissão de Justiça e Paz foi dissolvida.

Não era possível aceitar a vitória do opressor, ainda mais que a obra não estava concluída, e D. Hélder não parou sua luta em favor dos oprimidos. Apesar da idade e do cansaço natural da vida, D. Hélder ainda teve forças para articular algumas campanhas. Primeiro, dirigiu-se contra a fome, depois foi a vez de condenar a miséria e propor seu fim até o ano 2000. As Obras de São Francisco, fundadas por seus colaboradores, desenvolviam trabalhos sociais nas comunidades, como o Tururu no Janga, e atendiam a crianças carentes e subnutridas. O sonho de uma sociedade justa cada dia ganhava mais adeptos, e mesmo desarticulada a "Igreja dos pobres" resistia como um sinal da presença do reino de Deus, o mesmo anunciado por Cristo, onde os pobres são os bem-aventurados, e os poderosos serão humilhados.

Aos noventa anos, D. Hélder encerra sua missão terrena. Ainda bem que tivemos tempo para prestar-lhe merecidas homenagens pela sua ação em favor dos pobres. As tardes no parque da Jaqueira, nunca mais serão as mesmas, quando nas apresentações da Orquestra Sinfônica do Recife, D. Hélder nos presenteava com sua honrosa presença, e como sempre era aplaudido de pé, pelo público.

Como cristãos sabemos de duas coisas importantes: a morte não é o fim, mas apenas o começo de uma nova vida, mais próxima de Deus; e que a luta pela construção do reino de Deus, apenas começou. Ou melhor, ela nunca terá fim enquanto houver pessoas sem pão, sem teto, sem saúde, sem educação e principalmente sem esperança. Pois da esperança vem o amor. Do amor vem o dom ... da paz.



Artigo publicado no Jornal do Commércio, edição de 13 de outubro de 1999

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O Analfabeto Político

Por Bertolt Brecht



O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Nepotismo, "trem da alegria" e abuso de cargos comissionados são coisas do passado!

Em junho de 1842, o sarcástico e corrosivo Padre Carapuceiro publicou mais uma de suas contundentes críticas sobre a sociedade da época e tratou também do hábito de usar o serviço público como meio de acomodar aliados. O padre não aprovava tal mania,que considerava um absurdo.

O Carapuceiro já alertava que “todos os dias se engendram e se criam empregos absolutamente inúteis só para arranjar afilhados” e que “é da índole do sistema de transações o contentar os amigos, que nos ajudaram a subir o poder, e nele nos sustentam, embora para isso se posterguem todas as regras da decência, da eqüidade e da justiça”. O padre achava, porém, que esta pestilência teria fim: “assentemos que a sede de empregos públicos [neste caso, a expressão não tem o mesmo sentido atual, mas refere-se aos empregos arranjados por conveniências] entre nós é uma mania, aliás não menos prejudicial ao Estado que aos particulares, mania que só irá desvanecendo com o tempo à proporção em que o povo, ilustrando-se mais e mais, melhor for conhecendo seus verdadeiros interesses”.

As palavras do velho Carapuceiro poderiam muito bem ser aplicadas hoje em dia, quando nepotistas, “trens da alegria” e um impressionante número de cargos comissionados usados ao gosto de seus patronos pilham o erário mesmo considerando que há concursos para o provimento dos cargos públicos. Infelizmente, a esperança de nosso famoso crítico político dos tempos do Império de que o abuso dos cargos oportunistas no setor público pudesse acabar não vingou. Passados 165 anos, parece que as velhas críticas do século XIX são perfeitamente aplicáveis. Prova de que nossa política está perdida no tempo.

Não estamos sós!

Policiais Militares também reivindicam...


Estado Tenta atrair Megaloteria

Por Maria Albênia de Souza e Silva
Professora de rede estadual de Pernambuco



A ARPE (Agência Reguladora de Pernambuco) está concentrando esforços para viabilizar a atração da gigante norte-americana Internacional Game Technology (IGT) que já tomou a decisão de investir R$ 300 milhões em Pernambuco.

Diz a ARPE: “Eles são o maior grupo do mundo... Se nos derem R$ 15, R$10, ou R$8 milhões estará ótimo. O repasse será para a Federação Pernambucana de Futebol. (JC/Negócios, 25/08/07, p.2).

A atitude dessa agência (que regula não sei o quê) lembra-me a postura do Brasil na Conferência de Estocolmo (Suécia) em 1972, quando diversos países reunidos discutiam o modelo de desenvolvimento econômico baseado na aceleração industrial sem levar em conta a destruição dos recursos naturais do Planeta.

A delegação brasileira presente nessa Conferência distribuía cartazes que diziam: “Bem vindos à poluição, estamos abertos a ela. O Brasil não tem nenhuma restrição. Temos várias cidades que receberiam de braços abertos a sua poluição; o que queremos são os dólares para o nosso desenvolvimento.

Na lógica capitalista o que interessa é a acumulação do “din din”. Para o Estado pouco importa se as nossas escolas e hospitais públicos encontram-se em avançado estado de deterioração.

domingo, 26 de agosto de 2007

Cansei do “Cansei” – Crônica de um cansaço crônico

Apesar de seus confortos, nossas elites são historicamente cansadas

Este movimento de protesto é mais que um simples ato concentrado de indignação: o “Cansei” é uma alegoria de nossa infâmia política. Não é uma ação articulada motivada pela consternação causada pela tragédia do vôo 3054, que vitimou passageiros e tripulantes no maior acidente aéreo do país. Não é também uma reedição da tenebrosa “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, ato pré-golpista que antecipou a quartelada de 1 de abril de 1964, quando o Brasil foi arrematado por uma ditadura verde-oliva em prol dos interesses de uma elite ultra-conservadora. Este movimento de cansados televisivos, de emplumadas viúvas da direitona brasileira, de incendiadores de índios e de agressores de empregadas domésticas é simplesmente um retrato de nosso vazio político... nada mais que isso. E descontentamentos entre os ocupantes dos camarotes brasileiros sequer são novidades.

Nosso quadro político raramente pôde contar com o otimismo e a euforia duradoura, pois as decepções nunca tardaram. Em 1822 nos tornamos independentes saudando nosso “herói” português D. Pedro I, cuja política azedou até mesmo a elite que lhe beijava as mãos. O homem correu de volta para sua pátria-mãe-gentil, de onde tornou-se também monarca. Sem o indesejado imperador, entramos em convulsão durante a irrequieta fase regencial até que os inimigos de D. Pedro I decidiram coroar seu filho D. Pedro II. A “Pax Brasiliana” reinou juntamente com o segundo imperador durante relativamente muito tempo, mas os descontentes não deixaram de cumprir suas sinas e descontentaram o governo. Em 1889 D. Pedro II foi destronado e sua coroa cedeu lugar à faixa presidencial no peito de um de seus antigos aliados, o belicoso Deodoro da Fonseca. Era a aurora de nossa República.

Republicanos, continuamos complicados. A Velha República das oligarquias abonadas durou até o instante em que as oligarquias que partiam das margens para o centro do poder decidiram perder a paciência. Em 1930 a República Nova se concretizou como um ultimato: “façamos a revolução, antes que o povo a faça” (frase atribuída ao ex-governador mineiro Antonio Carlos, insigne oligarca dissidente). A Era Vargas buscou conciliar o populismo e o atendimento aos interesses de uma poderosa camada de elitistas travestidos de nacionalistas, coroando como apogeu a ditadura do Estado Novo. E a ditadura durou enquanto durou a parceria entre o governo e os poderosos além do palácio do Catete, que cansaram de Getúlio Vargas. O velho “Pai dos Pobres” voltou, mas também cansou e terminou se suicidando (ou sendo “suicidado”, como crêem muitos). Mesmo assim, o populismo não havia cansado completamente.

Passadas certas atribulações momentâneas, em 1956 o empreendedorismo de JK causou furor. Animados, muitos apostaram no progresso, no concreto, na bossa-nova do presidente galante e caipira, união de pólos tão diferentes entre os brasileiros. JK também enfrentou sua versão do “Cansei” entoada pela crítica do mesmo Carlos Lacerda que cansava Getúlio. A sucessão levou o obscuro Jânio Quadros à presidência, mas este já assumiu o poder cansando e cansado... pediu para sair e ninguém lhe pediu para voltar. Perigoso espectro varguista, o vice-presidente João Goulart quase não chegou ao poder, mas acabou vencendo pelo cansaço e assumiu suas prerrogativas presidenciais também derrotando o obstáculo legal de um parlamentarismo de ocasião. Jango era cansativo e contra ele se insurgiam trabalhadores em greve e conspiradores em atividade. O populismo sem fôlego não resistiu ao golpe que nos levou para nova experiência ditatorial.

A ditadura militar foi o resultado de um “Cansei” de linhas ideológicas traçadas num mapa geopolítico complicado da Guerra Fria. O comunismo cansava os conservadores, que resolveram perseguir o comunismo incansavelmente e instituíram um aparato repressor largo e profundo. Não ficou pedra sobre pedra. Os triunfantes guerreiros marcharam sobre a democracia ao lado de seus aliados civis enquanto alardeavam que construíam o “país do futuro”. Depois de alguns anos, a ditadura também cansou e não teve mais futuro.

Artistas e políticos famosos no palco: era o movimento das “Diretas Já”, realizado pelos cansados da ditadura. Não vingou. O presidente foi eleito pelos cansativos congressistas, mas o presidente eleito não assumiu – morreu antes de tomar posse, conduzindo o vice ao poder. José Sarney foi um presidente eleito sem votos e cansou o país com inflação e políticas econômicas exóticas. Cansados de Sarney, elegemos o vigoroso e jovial Fernando Collor em 1989. O destemido “caçador de marajás” ficou famoso pela TV Globo que o ajudou, mas seu governo foi infame. Cansados, “caras pintadas” tomaram as ruas e o Congresso tomou seu mandato.

Depois de um governo-tampão insípido, incolor e inodoro de Itamar Franco, o “lord” FHC assumiu a presidência e permaneceu por lá durante oito longos anos. FHC provocou euforia ao controlar a inflação mas ele não controlou a recessão. O desemprego galopante e as desilusões econômicas ajudaram a fazer de seu segundo mandato um tortuoso e cansativo período.

Lula não havia cansado de tentar ser presidente. Tentou ser eleito três vezes até conseguir vencer o primeiro herdeiro de FHC. A vitória de Lula contrapunha-se à sua peleja de candidato derrotado, pois foi uma festa. Brasília teve carnaval político no dia de sua posse. As expectativas eram colossais. Até muitos daqueles que historicamente suspeitavam de Lula cansaram de duvidar e o apoiaram, enfim, ninguém jamais chegou ao poder no Brasil tão rodeado de apoio. Mas a desilusão, tão nossa companheira, se fez presente no governo do “companheiro” Lula. Depois de mensalões, sanguessugas e escândalos tão semelhantes àqueles tão comuns na saga de nossa direita no poder, o governo da dita esquerda acabou sendo traduzido como uma decepção fragorosa. Lula se igualou a qualquer direitista que já tenha ocupado seu posto anteriormente. Sua política e seu projeto são coisas de direita. Tudo tão igual como sempre havia sido.

Mas, se nada mudou, o que os cansados do novo “Cansei” estão querendo? Qual a diferença no cacarejar da Hebe Camargo que condena Lula e aplaudia Paulo Maluf? Os artistas eram figuras presentes nos palcos das “Diretas Já” e são figuras igualmente presentes no “Cansei”. Os ilustres e VIPs estão, de uma hora para outra, preocupados com os rumos do país? Estão “ao lado” do povo? O que será que está acontecendo?

O fato mais claro de toda esta loucura está incondicionalmente ligado ao fato de que a política brasileira encontra-se em estado lastimável de degradação. Claro que se observarmos a nossa complexa história política, não deixaremos de concluir que sempre tivemos numa degradante condição, mas agora estamos vivenciando uma nova catarse desta crise perene.

Lula apareceu, para os mais otimistas, como um lampejo de esperança de que o quadro político do país poderia ter alguma mudança em sua feição. Mas a promessa não se cumpriu. Boa parte da “classe média” (este conceito tão vago ultimamente) que outrora se engajava nas campanhas do petista, agora está politicamente perdida. Entre as camadas populares havia anteriormente muitos que faziam vistas grossas aos apelos populistas de Lula, mas hoje esta vasta camada da população lhe afaga sem querer atribuir ao presidente o mesmo descrédito que muitos de seus eleitores (e ex-eleitores, no meu caso) estão lhe nutrindo. Não se pode esperar nenhuma postura diferente por parte dos órfãos da direita planaltina afastada do centro do poder desde a ascensão do petista, pois estes já estavam cansados desde o primeiro momento do governo Lula.

O que dá para avaliar sobre este movimento atual é que ele é um emaranhado de posições políticas contraditórias e incoerentes lançadas num contexto favorável para uma repercussão barulhenta. E, neste sentido, está funcionando. Mas o fato é que o “Cansei” é uma paródia de si mesmo e dos grupos que o sustentam. Socialites que atiram ovos em transeuntes ou o elenco de “Malhação” não são representativos para dar conteúdo a um movimento e, afinal, o tal movimento não tem conteúdo!

Numa política onde os herdeiros dos partidos que sustentaram a ditadura militar hoje são auto-denominados “Democratas” e onde um ex-operário governa favorecendo banqueiros, tudo é possível. Neste contexto, posso concluir que cansei de Lula, mas também cansei do “Cansei”!

Inclusão digital?


Enquanto milhões de reais são empregados numa enganação pedagógica que pretende livrar-se dos estudantes que estão além do enquadramento etário ideal das séries no ensino médio, questões fundamentais deixam de ser solucionadas. Além de ignorar medidas que busquem afetar as causas das distorções idade-série em sua origem, as políticas e prioridades da educação pública em Pernambuco continuam marcadas por estratégias equivocadas que resultam no desperdício de verbas em projetos inoperantes que não resolvem problemas que seguem atormentando o futuro dos estudantes.

A informatização das escolas é um exemplo disso. Qualquer suposto “mago” da educação lotado em algum dos mais comentados centros de estudos educacionais sabe e afirma que o conhecimento é a “base para o capital humano” e a ”chave para o desenvolvimento” (e os bordões usados são mais ou menos esses). Qualquer cidadão também pode afirmar que a “empregabilidade” (termo herdado da tecnocracia do governo FHC) está associada a um constante aperfeiçoamento dos saberes e habilidades dos indivíduos perante os desafios cotidianos. Tanto os estudiosos quanto o sensato senso comum concordam, portanto, que o conhecimento é necessário e, afinal, o que mais ouvimos é que vivemos na “Era Tecnológica” e na “Era da Informação”. Mas, qual a contribuição de nossa escola pública na ambientação dos estudantes neste panorama?

Fala-se muito em inclusão digital, mas nossas escolas não são inclusivas por claras razões práticas. Algumas unidades de ensino dispõem geralmente de uma sala de aula adaptada como laboratório de informática. Nestes laboratórios, uma dezena de computadores deve atender a cerca de um milhar de alunos. De imediato, ocorre-nos a inevitável constatação da insuficiência da proporção aluno-PC. Isso implica numa óbvia precariedade no uso da informática, pois a insuficiência de equipamentos resulta na incapacidade de atender ao público-alvo de forma eficiente. Esta evidência não é explicitada quando as propagandas dos governos mostram uma criança diante de um PC numa escola pública. Governantes e secretários adoram fazer pose em inaugurações de laboratórios de informática, mas jamais demonstram os dados práticos da aplicação da tecnologia no cotidiano escolar e também não garantem a devida funcionalidade dos laboratórios que inauguram tão festivamente.

Em geral, os laboratórios não contam com professores especificamente habilitados para o ensino da informática. Mesmo os professores que atuam de maneira improvisada nos laboratórios não conseguem atender à demanda das escolas, pois suas cargas-horárias são restritas. Oferecer um curso completo para habilitar os alunos quanto ao uso básico da informática que seja suficiente para prepará-los para o mercado de trabalho, mesmo com exigências modestas em relação ao manuseio de computadores, é algo impraticável nas condições das escolas. A estrutura disponível não permite o oferecimento de um treinamento minimamente razoável dos estudantes.

Além do mais, o próprio uso da informática como recurso didático adicional das disciplinas escolares também é pouco empregado. Isto porque até mesmo professores também não estão suficientemente familiarizados com o os recursos desta tecnologia.

Mesmo as escolas que procuram utilizar seus parcos meios informáticos esbarram em obstáculos graves. Diante de um imenso número de alunos para atender, o tempo que cada estudante passará diante dos equipamentos é mínimo. Os computadores precisam ser compartilhados por dois, três ou até quatro alunos por aula que não contam com material didático nem outros recursos úteis como CDs nem mesmo os ultrapassados disquetes para guardarem suas produções.

Quando os laboratórios não estão sendo utilizados por estudantes que estão especificamente tentando lidar com os computadores, ficam indisponíveis para o uso aberto por outros que possam utilizar a internet para realizar pesquisas e também não podem ser utilizados por professores que pretendam usar os computadores seja para buscar informações para uso didático, seja para levar também algum grupo de alunos para algum trabalho dirigido. Os pequenos laboratórios devem servir para tudo ao mesmo tempo.

Mais questões práticas tumultuam o emprego da tecnologia nas escolas. Além da insuficiência dos equipamentos, a manutenção é lenta. Quando algum problema ocorre nos computadores, demanda-se muito tempo entre burocracia e precariedade no atendimento técnico para solucionar os eventuais defeitos. Enquanto isso, computadores defeituosos ficam esperando reparos enquanto desfalcam os laboratórios. Muitas escolas possuem também laboratórios que operam com uma internet com baixíssimo desempenho, atrapalhando e tornando pouco produtivas as rarefeitas oportunidades de utilização destes espaços para pesquisas.

Além dos laboratórios, as salas dos professores também deveriam ser equipadas com computadores e impressores que deveriam ser utilizados pelos docentes para a elaboração de aulas, para a realização de pesquisas e até para que eles pudessem se familiarizar pela prática com o uso da informática.

Claro que todos estes problemas são críticos e merecem investimentos e uma política ordenada para que as dificuldades sejam superadas, porém há casos ainda mais drásticos, afinal, muitas escolas ainda não possuem sequer um laboratório de informática.

Enquanto isso, a Fundação Roberto Marinho agradece mais um convênio com a Secretaria de Educação...

sábado, 25 de agosto de 2007

Capacitação e incapacidade: na educação vale tudo?

O projeto “Travessia” e suas telessalas custarão caro. A Secretaria de Educação apontou os custos desta nova aventura indicando o montante de R$ 15 milhões, dos quais R$ 7 milhões serão “investidos” em “capacitação” (termo abominável que sugere que os “capacitandos” são profissionais incapazes que necessitam passar pela dita “capacitação” para o exercício de suas próprias funções de educar, embora, neste caso, suas funções sejam completamente desvirtuadas).

Estes valores são impressionantes. Os professores estiveram recentemente em greve reivindicando um reajuste salarial para atenuar a precariedade de seus vencimentos – valendo reiterar que o professor pernambucano recebe O PIOR SALÁRIO DO BRASIL. Receberam irrisórios 5% de correção sob a alegação – sempre a mesma – de que o governo não dispõe de meios para oferecer um aumento decente.

Passada a balbúrdia, retornamos às salas de aula e recebemos esta novidade: sem dispor de recursos para pagar salários para professores, o governo dispõe de um orçamento nababesco para investir em um projeto ilusório e empregará uma fortuna só para custear sua fantasiosa capacitação.

Um professor leva, pelo menos, quatro anos e meio em uma graduação para ser certificado com a licenciatura para o magistério em uma disciplina específica através de um sacrificado investimento de esforço, estudos e também de dinheiro, para então exercer seus desígnios nas salas de aula. A Secretaria de Educação decide implantar um programa educacional estruturado nas telessalas que prescindem das atribuições de professores, que são rebaixados à condição de “mediadores” entre os DVDs e as telas das TVs que reproduzirão programação produzida pela Fundação Roberto Marinho. Estes “mediadores” passarão pelas tais “capacitações” que custarão R$ 7 milhões e ocorrerão em hotéis.

Estes adestramentos serão rápidos e presumivelmente habilitarão professores especializados que passarão a ser generalistas, cumprindo um propósito absurdo através do qual o “mediador” estará “apto” a lidar com várias disciplinas de uma vez. Cada turma das telessalas contará com apenas dois “mediadores”, um atuando nas áreas lingüísticas e nas ciências humanas e outro nas ciências exatas e biológicas. Na prática, por exemplo,professores de história estarão “ensinando” português e professores de biologia “ensinarão” matemática. Suas habilitações e competências específicas nas ciências nas quais se formaram valerão muito pouco com esta grotesca pulverização pedagógica.

Se a moda pega, esta generalidade técnica poderia ser experimentada em outras áreas. Dentistas poderiam passar por “capacitações” para adquirir autorização para executar cirurgias cárdicas e engenheiros civis poderão também passar por uma “capacitação” que lhes habilitarão a atuar como magistrados nas varas judiciais.

Todo e qualquer improviso é válido na educação? Nossos digníssimos governantes acham que sim!

Infelizmente, não é requerida nenhuma “capacitação” para que alguém possa assumir o comando de uma Secretaria de Educação e mesmo que algum gestor desta secretaria não faça a menor idéia do que é educar, nada o impedirá de decidir como os professores deverão atuar.

Uma "Travessia" duvidosa



Dados da própria Secretaria de Educação indicam que a defasagem idade-série em Pernambuco é intensa. Dos 369.753 alunos matriculados no ensino médio, 259.709 deles estão fora da faixa adequada para as séries que estão cursando, representando cerca de 70% do total de matrículas deste nível de ensino.

Os números por si já denunciam uma série de que problemas, pois sinalizam que o percurso do aluno até a conclusão da educação escolar é marcada por deficiências. A solução apresentada pela Secretaria de Educação para solucionar este problema tem como princípio o imediatismo e a superficialidade. E esta pantomima tem nome: “Travessia” – um belo nome para um programa falho que maquia os dados referentes à efetivação da educação pública.

O governo Eduardo Campos está implementando este projeto à toque de caixa, pois em pleno segundo semestre está implantando as telessalas em tom de improviso característico de uma política educacional realizada sem critério nem aprofundamento. O secretário de educação, Danilo Cabral, anunciou que “a palavra-chave desta gestão é resultado”, contudo, o “resultado” deste programa é uma farsa.

O secretário afirmou também: “Estamos apostando num projeto que conhecemos a eficácia. Não vamos fazer da Educação de Pernambuco nenhum laboratório”... mas os dados que comprovam a “eficácia” das telessalas jamais foram apresentados aos professores que efetivamente cumprem os propósitos de educar a população pernambucana usuária do sistema de ensino oficial.

Estas propostas educacionais, via de regra, são desempenhadas através de convênios com instituições a exemplo da Fundação Roberto Marinho e são custeadas por verbas públicas. Não é comum haver uma prévia discussão sobre tais projetos mirabolantes com o conjunto dos professores e estas preciosidades do malabarismo educacional são geradas em gabinetes e também em gabinetes são decididas as formas de imposição destes projetos. Os professores são vistos como meros executores acríticos de toda e qualquer decisão tomada por um conjunto restrito de “iluminados” que não convivem com o dia-a-dia das salas de aula.

Gerente geral de Educação e Implementação da Fundação Roberto Marinho, Vilma Guimarães afirmou que ”já são 27 mil telessalas em todo o país e cerca de cinco milhões de alunos já concluíram os estudos”, contudo estes dados são apenas quantitativos. Por acaso, dados qualitativos sobre o desempenho operado pelos estudantes que se submeteram a este tipo de programa também são tão vistosos? Estes alunos estão sendo aprovados, por exemplo, em vestibulares de universidades públicas?

Para variar, dados vagos acabam servindo de parâmetro para a implantação de programas educacionais que serão futuramente abandonados. Será que inventar projetos miraculosos para “solucionar” os problemas da educação brasileira é alguma novidade? Qualquer governo inventa programas e projetos pretensiosos que não passam pela prova da eficiência, pois os problemas e nós da educação perduram de maneira resistente.

Determinados discursos deixam escapar suas arestas e uma reveladora afirmação da representante da Fundação Roberto Marinho é exemplo disso. A senhora Vilma Guimarães afirmou que ”ao contrário do ensino médio regular, os alunos do Travessia, vão receber todo o material didático por disciplina, o que não acontece nas escolas normais”, mas esta afirmação levanta mais questionamentos: por que será que as escolas normais e o ensino regular não possuem a dita estrutura didática de um projeto como este? Por que não há material didático para os alunos que freqüentam o ensino médio regular? Por que somente projetos milionários executados com a “parceria” de organizações como a Fundação Roberto Marinho podem supostamente oferecer as condições “adequadas” para os estudantes? Por que os investimentos não são feitos diretamente no ensino regular para melhorar seus resultados e condições? Os alunos que estão dentro da faixa etária continuarão recebendo um ensino médio precário, pois, afinal estarão fora do “Travessia”?

Como se vê, certas afirmações descortinam um vasto universo de contradições.

Filme triste


sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Show de baixarias


"Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las". Esta bela frase é atribuída ao iluminista Voltaire, defensor da liberdade de pensamento e da tolerância. A mesma também foi citada por um dos integrantes da direção do Sintepe em assembléia realizada no Teatro do Parque no período da greve dos educadores. No entanto, respeito à liberdade de expressão não parece ser a prática dessa direção sindical. Isto ficou bastante visível na última assembléia, realizada na quadra do IEP, em Recife, no último dia 21 deste mês de agosto às 14h. No momento de lidar com as divergências ideológicas, perderam o controle (e até a compostura). O que se viu foi um festival de grosserias repassadas através de discursos rancorosos e vulgares. Houve até quem dissesse que os professores (que pensam diferente da direção do Sintepe) vão para suas escolas fazer sacanagem. Como admitir que um grupo que representa os educadores de toda rede estadual de Pernambuco possa descer o nível a este ponto? Não é por acaso que se tem a pior educação do país.

Enquanto alguns educadores procuravam discutir assuntos de interesse de toda categoria, tais como: a implantação das tele-salas, do piso nacional, dentre outros, a direção do Sintepe focou suas atenções no grupo de oposição, chamando seus integrantes de mentirosos, desrespeitando-os e/ou ironizando suas titulações, perdidos em um discurso de claro desespero. A incoerência foi tanta, que no momento em que se fez referência à impraticabilidade do horário da reposição da greve, eles disseram que a assembléia não era o lugar de se fazer esta avaliação. Se nas assembléias não se pode discutir acerca da realidade das escolas, onde se fará isso então? Para que servem as assembléias? Aliás, esta é uma boa pergunta. Afinal de contas, a pauta da referida assembléia era a mobilização pelo piso nacional para a categoria, porém, qualquer pessoa que lá esteve poderia jurar que o principal ponto a avaliar era o grupo de oposição.

Por falar em piso nacional, como justificar o fato de que o maior sindicato do Estado de Pernambuco disponibilizou apenas um ônibus par ir à Brasília? É bom lembrar que juntando os representantes das regionais e parte da direção do Sintepe não restaram vagas para mais ninguém.

Quanto às assembléias, é lá onde se discutem os problemas da categoria sim. A assembléia é soberana. Mas até isso a direção do Sintepe desrespeita. A doação de sangue ao Hemope foi aprovada em assembléia e jamais encampada pelo sindicato. E foi justamente sobre isto que a vice-presidente do Sintepe, Antonieta Trindade, teve o desplante de se referir como "falta de criatividade" pois, segundo ela, o Hemope não necessita de doações. Se a base não é criativa onde está a criatividade do Sintepe? Que tal começar pelos integrantes que há anos não pisam numa sala de aula, desconhecendo, na prática, os problemas que a categoria enfrenta? Visitem os "companheiros", vejam as realidades das escolas, saiam dos gabinetes políticos e venham discutir os problemas da educação com quem os conhece de fato. Aprendam a dialogar e, principalmente, aprendam a divergir no campo das idéias. Isto se chama democracia. Pensar diferente não é crime. "Toda unanimidade é burra" já dizia o grande Nelson Rodrigues. Se há pessoas que pensam diferente da direção do Sintepe, é porque são suficientemente inteligentes para perceber que a referida direção não as representa de fato, embora o faça por direito. Essa direção precisa aprender a se comportar como verdadeiros representantes de uma categoria que, embora sofrida, não é burra, merecendo, portanto, o devido respeito. Discursos terroristas, manipulações, ofensas pessoais e todo tipo de baixarias são velhas práticas da politicalha que enlameia este país. Já está na hora da direção do Sintepe sair em defesa da categoria que a elegeu e mostrar serviço, em vez de tentar manipulá-la através das ideologias burguesas presentes em seus discursos demagógicos.

UM MÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Hoje este blog completa seu primeiro mês.

Agradecemos aos visitantes... e voltem sempre!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Terezinha Nunes faz demagogia sobre crise das escolas

Seria cômico se não fosse trágico: uma Teresa, que foi oposicionista e hoje integra a base do governo Eduardo Campos, não costumava se esquivar antes de tecer cáusticas críticas ao governo que combatia... uma Terezinha, que foi integrante do governo Jarbas-Mendonça e hoje está na oposição, critica coisas sobre as quais silenciava quando era governista!

Notícia divulgada no Blog de Jamildo (clique aqui para ler a matéria) dá conta de que a deputada jarbista Terezinha Nunes fez um ruidoso protesto contra o sucateamento das escolas das rede estadual, sobretudo, quanto ao fato de que até agora há unidades de ensino interditadas por causa de obras intermináveis.

O protesto da nobre deputada teria mais crédito se ela não tivesse feito parte da gestão que sucateou as escolas, afinal, se elas chegaram ao ponto em que precisaram de interdição, a omissão irresponsável do governo Jarbas-Mendonça certamente também foi causadora desta crise.

Não consta que Terezinha Nunes tenha tido nenhum acesso de indignação perante a predatória gestão educacional praticada durante o governo ao qual serviu tenazmente. Durante aquele governo, escolas também caiam aos pedaços e a educação pública estadual caiu na sarjeta do pior índice avaliado em todo o país. Ou será que a deputada desconhece estes fatos?

Mesmo que o governo Eduardo Campos seja uma continuação hedionda do maléfico governo anterior e mereça as mais severas críticas, a senhora Terezinha Nunes deveria ser a última pessoa a questonar a crise da educação que foi fartamente construída quando ela era governista.

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É lastimável ver deputados abusando da hipocrisia e da demagogia enquanto berram na tribuna da Assembléia Legislativa, usando a educação como mote para "marcar presença" e fazer discursos vazios e oportunistas enquanto tentam ludibriar a opinião pública, fingindo que possuem o mínimo de compromisso com os problemas da educação em Pernambuco.

Muitos de nossos parlamentares são mestres na arte da dissimulação, mas precisamos fazer um alerta: Menos, Terezinha... menos!

Blog Acerto de Contas discute artigo da deputada Teresa Leitão

Clique aqui e confira o texto na íntegra.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Oposição é obrigação!


Às vésperas de realizar sua invasão ao Iraque, George W. Bush chegou a arrotar o seguinte disparate: “quem não está do nosso lado, está do lado do terrorismo”. A partir deste raciocínio, verificamos como o reducionismo grosseiro é típico de quem não é capaz de lidar com a democracia. E esta referência ao malfadado Bush não é insólita quando fazemos uma apreciação sobre a atual situação política que marca o movimento sindical dos trabalhadores em educação da rede pública estadual em Pernambuco.

Na última assembléia da categoria (no dia 21 deste mês de agosto), a tensão entre a direção do Sintepe e a oposição se manifestou novamente e isto não é nada estranho quando divergências políticas existem. Também não é nenhuma anomalia em um debate democrático. O que é estranho é o teor de determinados discursos situacionistas, pois parte deles negam a prática legítima do embate em torno de concepções sindicais em um ambiente marcado pela democracia.

Indo além do primarismo e da superficialidade de determinados argumentos situacionistas,vale ressaltar que nem toda oposição é, necessariamente, eleitoral. Há uma oposição constituída, mas há também a noção de que as eleições para a direção do sindicato ainda estão longe. Não se faz oposição apenas diante da eminência de um pleito eleitoral e, neste sentido, a própria argumentação defensiva de quem utiliza tais discursos acabou fazendo algo que a oposição ainda não fez: lançar uma candidatura. Resumindo: há uma oposição, mas não há uma chapa! Claro que as contingências não negam a necessidade de haver uma oposição também eleitoral, mas não estamos precipitando esta situação.

A atual direção do Sintepe deveria estar plenamente amadurecida em relação às contingências próprias do exercício do poder, afinal, a consolidação desta diretoria é o resultado de um processo histórico. A gestão sindical que hora conduz nossa entidade representativa é sucessora de outras gestões que ao longo de vários anos estiveram no comando do Sintepe. Esta história construída não pode ser negada, assim como não pode ser negada de maneira leviana que contribuições valorosas e exemplos marcantes de luta fazem parte do legado deste sindicato e de suas direções através de anos, contudo, nada disso torna ilegítima a necessidade de criticar a direção do Sintepe.

A instituição do Sintepe merece ser respeitada, contudo, isto não invalida o legítimo direito de ser arregimentada uma oposição – e motivos para isso não faltam. O que os discursos anti-oposicionistas não fazem é reconhecer que a categoria pode perfeitamente manifestar sua discordância e merece total respeito por isso, afinal, a condução da atual direção propiciou os motivos para que fossem reforçadas as causas de divergências e oposição. Isto também precisa ser avaliado pela direção do Sintepe, que necessita fazer uma apreciação auto-crítica de suas estratégias. Agir desta forma é agir de maneira aberta e transparente.

Durante o ápice das tensões entre a base a direção no decorrer do último movimento grevista, as razões para as discordâncias ficaram explícitas. E não se pode atribuir apenas à oposição organizada o coro de descontentamentos, pois a espontaneidade e autonomia crítica da base merecem ser reconhecidas. A oposição tem sua existência creditada ao descontentamento e à indignação e não é restrita a um mero e pontual alinhamento partidário e se opor ao que está apresentado em termos de condução sindical é uma necessidade fundamental para o fortalecimento das lutas da categoria.

Também não fazem sentido outros argumentos vazios que apontam a oposição como oportunista, afinal, a discordância não tem hora para ser manifestada. Provavelmente a “dinastia” sindical representada pela direção do Sintepe perdeu o hábito de saber o que é enfrentar uma oposição e isto afeta também seus discursos. Mas ocorre que o hábito democrático de estabelecer uma relação dialética não foi banido de nosso contexto e nossos dirigentes classistas precisam rever suas avaliações a respeito da existência de uma oposição.

Talvez um recado esteja sendo dado: a longa perpetuação na direção sindical de um mesmo grupo já não é tão segura e confortável e possivelmente parte da base esteja saturada.

Retomando o raciocínio expresso no início, não se pode, de maneira nenhuma, recorrer a um argumento falacioso de que a oposição desarticula a possibilidade de unidade e fortalecimento da categoria. Se há, como comprovado, divergências entre a direção e muitíssimos de seus representados, estar contra a direção, não significa estar contra a categoria. Qualquer insinuação que busque a imprópria associação segundo a qual a existência de uma oposição é fator que prejudica a luta da categoria merece ser rebatida e contraditada.

Determinados apelos retóricos não cumprem com os desígnios de um debate democrático e somente servem para demonstrar um apego ao poder e a certos compromissos que escapam da esfera própria dos interesses da categoria, que é muito mais ampla que a direção do sindicato.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

PAQUIDERMES BRANCOS NO SINTEPE








(Com todo respeito aos elefantes)

Um artigo na Alternativa chateia muita gente.

Dois artigos na Alternativa chateiam, chateiam muito mais.

Três artigos na Alternativa chateiam muita gente.

Quatro artigos na Alternativa chateiam, chateiam, chateiam, chateiam muito mais.

Cinco artigos na Alternativa chateiam muita gente.

Seis artigos na Alternativa chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam muito mais.

Sete artigos na Alternativa chateiam muita gente.

Oito artigos na Alternativa chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam muito mais.

Nove artigos na Alternativa chateiam muita gente.

Dez artigos na Alternativa chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam, chateiam muito mais...

Imagine 82 artigos o quanto incomodam!

O ESTATUTO DO SINTEPE

O link anterior estava com problemas, então colocamos novamente na internet.

Confira o estatuto clicando aqui (preferencialmente, clique com o botão direito sobre o link e selecione a opção "Salvar destino como...").

O Estatuto também estará disponível na seção "Legislação e Documentos", na divisão à direita do blog.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Prêmio de gestão?

Notícia publicada no site sa Secretaria de Educação:

"Secretário anuncia escola que concorrerá ao Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar

Na próxima quarta-feira (22), o secretário de Educação, Danilo Cabral, anuncia o nome da escola destaque estadual que concorrerá ao Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar 2006. Durante a solenidade, que acontece no auditório da Justiça Federal, na avenida Recife, às 9h, serão anunciadas as outras 15 unidades referências regionais que receberão uma placa de reconhecimento ao mérito.

A unidade vencedora foi escolhida, pelo Comitê Estadual, por apresentar melhores gestões participativas, pedagógicas, de pessoas, de serviços, recursos e de resultados educacionais. Agora, ela disputará o título nacional concorrendo com escolas de todo o país. Participaram da seleção, escolas estaduais pertencentes às 16 Gerências Regionais de Educação (GRE´s). As escolas do Sertão Médio do São Francisco não fizeram inscrições.

O Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar é uma iniciativa conjunta do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Fundação Roberto Marinho.

Além do diploma Escola Referência Nacional em Gestão Escolar, a primeira unidade de cada Estado selecionada pelo Comitê Nacional de Avaliação concorre ao diploma Destaque Brasil e ao prêmio de R$ 10.000,00 (dez mil reais), concedido pela Fundação Roberto Marinho.

As primeiras escolas recebem, igualmente, um prêmio da Fundação Roberto Marinho, correspondente a dois mil reais e uma coletânea de vídeos educativos. Os diretores dessas escolas são contemplados com o diploma Liderança em Gestão Escolar e recebem como prêmio uma viagem de intercâmbio no Brasil e/ou no exterior".


Para variar, umas perguntas inofensivas:

  • A própria gestão da Secretaria de Educação mereceria algum prêmio?
  • Será esta tal escola escolhida uma representante daquelas "Ilhas da Fantasia" quase privatizadas que recebem a qualificação de "centros de excelência"?
  • E a universalização da qualidade e investimento nas unidades de ensino? Existe algum projeto a este respeito?
  • Com esta reposição de aulas fajuta que a Secretaria de Educação empurrou goela abaixo, haverá a possibilidade de premiação para o professor que sobreviver ao cumprir esta jornada de trabalho absurda?

domingo, 19 de agosto de 2007

INDISCIPLINA: FALHA DO PROFESSOR OU CRISE DE AUTORIDADE?


por José Ricardo de Souza
Historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista


A indisciplina tem-se constituído num gravíssimo problema, presente em qualquer Escola (seja ela pública ou privada), decorrente do mau, não seria exagero dizer, péssimo, comportamento de certos alunos que acabam por prejudicar não apenas colegas e professores, mas a Escola em geral, partindo até mesmo para atos do mais puro vandalismo (o aumento das bancas danificadas está aí para confirmar isto). Os casos de mau comportamento são tão freqüentes que chegam a pôr em xeque alguns princípios e conceitos que regem a prática pedagógica, como por exemplo, esse liberalismo desenfreado defendido por alguns psicólogos e pedagogos, com o argumento falácio de construir um alunado consciente de seus direitos, sem que ninguém destaque os seus deveres. Como punir, de forma exemplar tais indivíduos ? Tirar ponto ou atribuir conceitos negativos, conversar com os pais, suspendê-los ? Infelizmente, a "Pedagogia Moderna" condena os velhos mecanismos de controle do comportamento do alunado, mas não apresenta nenhuma proposta para substituí-los. O resultado não poderia ser outro senão o caos instituído em nossas salas de aula. E os professores ? Não serão os culpados por tal desordem, uma vez que são responsáveis pelo andamento de suas turmas ?

É muito fácil distribuir culpas. Difícil mesmo, é encaminhar soluções. Uma análise mais profunda do problema revela que no fundo, somos todos vítimas de um processo caracterizado por três elementos: falta de educação doméstica (uma preparação na família), transição para o terceiro milênio (provocando uma crise de valores) e a falta de credibilidade nas instituições (gerando uma crise de autoridade). Na família, que teoricamente deveria ser a primeira Escola do indivíduo, quase não há espaços para o diálogo franco e aberto, alargando o abismo entre pais e filhos. Sem um embasamento da família, a criança e o adolescente chegam à Escola totalmente sem noções básicas, e mínimas de respeito aos colegas e aos professores. Na sociedade, caem valores, princípios e tabus sem a preocupação de elaborar novos referenciais, resultando numa inevitável crise existencial, levando-nos a um relativismo moral onde tudo é permitido, e o que não é permitido, passa a ser tolerado. Os atos pouco éticos de algumas lideranças (de qualquer instituição social) levam-nos a questionar a legitimidade ou não dos poderes constituídos e impostos sobre os grupos não dominantes. A título de exemplo, podemos lembrar os inúmeros casos de corrupção estampados em machetes de jornais e TV. Por conseguinte, vivemos numa sociedade conturbada, onde "tudo o que é sólido se desmancha no ar", e assim, vamos caindo ... De maduros, não. De podre, mesmo!

Antes de perseguir alunos indisciplinados, ou criticar professores "sem moral", é preciso discutir o papel da Escola na sociedade pós-moderna, em plena revolução tecnológica. A Escola vem dando respostas antiquadas para novas realidades, construídas dialeticamente para um novo momento histórico de crise e transformação. Estamos perplexos diante de tal processo. É preciso repensar as nossas posturas como educadores e encaminhar novas propostas e modelos para reestruturar a Escola, de forma que possibilite manter a ordem necessária para o bom andamento do processo pedagógico, afinal com a indisciplina todos perdem, principalmente o alunado. Infelizmente, pouco podemos esperar de uma juventude alienada, sem referenciais nem ideologias capazes de fazê-lo pensar e refletir sobre os seus atos insensatos. A indisciplina na Escola não começa na sala de aula, onde o aluno não reconhece a autoridade do professor, ela vem de toda uma estrutura decadente, no qual a família perdeu o dialogo, as instituições perderam o sentido, e o povo perdeu o bonde da História.

PIQUETE ÀS AVESSAS

Recentemente postei aqui uma paráfrase de uma poesia de Drummond, postagem essa que não agradou a um simpatizante da atual Direção do SINTEPE. Que realizou o seguinte comentário, transcrito aqui na integra:
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Anônimo disse... Sou do tempo que luta sindical se fazia nas ruas, no corpo a corpo. Sou do tempo que disputa por espaço se fazia no enfretamento através do debate, tentar denegrir a imagem dos que tem coragem de mostrar a cara é simplismente COVARDIA E DEMOGAGIA, TUDO menos isso, no meio dos trabalhadores em Educação NÃO COLA!!!!! Venham pras ruas , venham orgaizar a massa covardes.
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Diante do exposto, desempenhei uma pequena análise do discurso do nosso nobre “Anônimo”.
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Começarei analisando essas duas orações, onde o caro colega alega: “sou do tempo” e “se fazia”. Ora, ambas denotam passado, o que leva a entender que o SINTEPE já não defende os interesses da categoria. Passou a ser agora um mero GAROTO DE RECADOS do Governo Eduardo Campos. Acredito que em troca de algum cargo comissionado no Terceiro, Quarto ou Quinto Escalão.
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Ao considerar a frase toda: “Sou do tempo que luta sindical se fazia nas ruas, no corpo a corpo”. Essa “rua” e esse “corpo a corpo” podem ser entendidos como sendo um piquete. A palavra PIQUETE no dicionário Michaelis, em uma de suas inúmeras definições, é classificada da seguinte maneira: Grupo de pessoas que se posta à entrada de fábricas, empresas, ESTABELECIMENTOS DE ENSINO, etc., para IMPEDIR A ENTRADA de outras, por ocasião de GREVE.
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Na realidade o que vi durante toda a greve foi justamente a falta dessa ação. Vale salientar que fui a todas as Assembléias, passeatas, atos públicos, etc. E em momento algum foi cogitado a realização de piquetes nas escolas. E olha que as Assembléias aconteciam na quadra do IEP, próximo ao Ginásio Pernambucano. Aí surge a pergunta, por que não fomos até o GP para fazer piquetes? Já que essa Unidade Escolar não paralisou as suas atividades.
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Na verdade o que aconteceu foi justamente o contrário, um piquete às avessas. Integrantes do SINTEPE estiveram em diversas escolas, sito a Escola Professor Carlos Frederico do Rego Maciel (Camaragibe) e a Escola Polivalente de Abreu e Lima, entre outras. Convocando os professores que estavam em sala de aula para irem reforçar o movimento para por fim a greve.
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Essa atuação do SINTEPE me fez lembrar um pensamento do escritor norte-americano W. Durant, sobre como vencer uma civilização poderosa. Ele disse o seguinte: “Uma civilização grande não pode ser conquistada até que tenha se destruído por dentro”. Foi exatamente isso que aconteceu com o nosso movimento. Fomos destruídos por dentro, fomos sabotados, fomos traídos. E o ator dessas ações foi a atual Direção do sindicato, eles se encarregaram de disseminar o medo entre os professores com suas constantes ameaças toda vez em que queriam acabar com a greve. A direção agiu como uma verdadeira QUINTA COLUNA.
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Como relação ao uso da palavra DENEGRIR, é melhor o nobre colega tomar cuidado. Pois, ela está no mesmo rol de: JUDIAR, MANCHAR, OVELHA NEGRA, etc. Todas são de cunho racista.
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Agora a parte mais engraçada de todo discurso é a frase: “coragem de mostrar a cara”. Como é que uma pessoa tem a audácia de articular umas palavras dessas e assinar como “Anônimo”? Tem alguém aí que possa me dar uma explicação?
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Logo em seguida vem outra bomba: “covardia e demagogia”. Mas uma vez fico sem entender. Quem é o covarde e demagogo aqui?
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Para finalizar só queria que o amigo “Anônimo” entende-se o significado da paráfrase: Heleno Araújo e Danilo Cabral são farinha do mesmo saco, melhor dizendo, pedras do mesmo entulho.

sábado, 18 de agosto de 2007

Nossa guerra

Por Cristovam Buarque
Cristovam Buarque é professor da Universidade de Brasília e senador pelo PDT/DF
Artigo publicado em 10/08/2007 no Jornal do Commercio




Na semana passada, no município catarinense de Joaçaba, uma moça pôs um gravador na minha frente e perguntou: “O que você diria ao pai de um jovem de 16 anos que diz ter decidido ser professor?” Respondi: “Diria que me sentia como se o rapaz estivesse se alistando no Exército em tempos de guerra. O pai tem todo o direito de se assustar com o futuro do filho, mas tem motivos para se orgulhar do seu patriotismo.” A pergunta de Santa Catarina se justifica plenamente. Hoje, raros pais ficam felizes com a opção de um filho pelo magistério.

Um mês atrás, em Brasília, uma professora da rede pública me disse que o pai deixou de falar com ela desde quando ela lhe comunicou sua opção pelo magistério. No Brasil, escolher o magistério é um gesto extremo, como alistar-se para ir à guerra.

É triste reconhecer, mas a carreira de professor não oferece um futuro promissor. O jovem que escolhe essa carreira provavelmente terá um salário baixo, trabalhará em escolas fisicamente degradadas, não contará com modernos equipamentos, enfrentará turmas desmotivadas e estará sujeito a atos de violência. Entretanto, são esses os profissionais que enfrentarão a guerra da construção do futuro do Brasil. São soldados do futuro, são patriotas.

A razão óbvia para essa posição está nas péssimas condições de trabalho, inclusive salariais. Por trás, há razões mais profundas. Quando um jovem escolhe a carreira de médico ou engenheiro, o pai vê três vantagens: um futuro promissor, uma boa remuneração e o orgulho de filho que ajuda a construir o País. É um soldado do futuro e bem pago. Na opção pelo magistério, o pai não tem o sentimento de construção do futuro, do respeito social pelo filho, e sabe dos baixos salários que ele provavelmente terá.

Ainda mais do que o salário, o que pesa na frustração dos pais é a falta de reconhecimento, como se esta fosse uma profissão menor. Mas a falta de reconhecimento decorre principalmente do baixo salário. Cria-se um círculo vicioso: não é uma carreira de sucesso porque os salários são baixos, e não há reconhecimento. O professor se sente diminuído e mais diminuído fica.

Os servidores do Banco Central fizeram uma greve, no mesmo período que professores em diversos Estados. Em média, o simples aumento pleiteado pelos funcionários do Banco Central equivalia a quase duas vezes o salário mensal dos professores. Porque, na visão do Brasil, a educação é secundária. Não se percebe que o futuro econômico nacional está no capital-conhecimento, e que a quebra da desigualdade social só virá com o acesso de todos a uma escola com a mesma qualidade.

Quando a falha de infra-estrutura aérea ficou evidente, o governo decidiu construir novas pistas, novos aeroportos, trens especiais para levar os passageiros. Bilhões de reais foram rapidamente prometidos. Isso porque os aviões precisam decolar. Mas não há recursos para fazer o País decolar com a construção dos aeroportos do futuro: as escolas.

A maior dificuldade para tirar o Brasil do impasse que vive sua sociedade é convencer a opinião pública de que a escola é importante e os professores são os construtores do futuro. Quando isso acontecer, no momento em que nascer uma criança, seu pai vai colocá-la nos braços, olhará seu rostinho e dirá: “Quando crescer, vai ser professor.” E pensará: “Vai ter uma bela carreira, um bom futuro e ajudará o Brasil a vencer nossa guerra contra a pobreza, o atraso, a desigualdade.” Nesse dia, a pergunta feita na semana passada perderá o sentido.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Mais aumentos na Polícia Civil...

Enquanto há sindicalistas governistas que festejam como vitória e "avanço" o aumento de 5% de nossa categoria, as demais categorias do serviço público tiveram mais sorte. Nossos sindicalistas até que se esforçaram bastante para que obtivéssemos um aumento ainda menor, quando tentaram acabar a greve no instante em que o governo oferecia apenas 3%, contudo, a proposta foi recusada nas assembléias.

Os policias civis e militares obtiveram 10% sem fazer greve e agora foi a vez dos delegados de polícia receberam 12% de aumento enquanto os peritos e legistas receberam 16%. O governo também irá ampliar as promoções entre os delegados e assinalou que estes patamares de aumentos estão dentro das possibilidades dos cofres públicos, diferentemente do que ocorre quando os pleitos de reposição em nossa categoria são reivindicados.

Tudo indica que os servidores do Judiciário, que também pleiteiam aumento e ampliação dos repasses feitos pelo Executivo, terão resultados mais avançados do que os nossos, como costuma ser regra. Também podemos especular que a greve dos servidores do Judiciario não será julgada ilegal.

Claro que defendemos conquistas entre as várias categorias dos trabalhadores do serviço público, contudo, é estarrecedor o fato de que o governo possui pesos e medidas diferentes para lidar com seu funcionalismo... e, no final das contas, os trabalhadores da educação levam a pior!

Acelerando a crise

Através do "aceleramento", a Secretaria de Educação pretende diminuir as distorções idade-série, mas será que o modelo de ação do programa funcionará?


Os números relativos à educação em Pernambuco são terríveis. As causas de nosso fracasso educacional são estruturais, são relativas ao mau funcionamento e ao pouco caso que os governos fizeram do setor. Mudar a situação exige a consolidação de uma concepção de desenvolvimento do estado estritamente relacionada à educação e esta postura tem sido negligenciada nas últimas gestões e agravadas desde o governo Jarbas Vasconcelos, quando a decadência acentuou sua ação.

Hoje, o caos já está devidamente instalado e confortável diante das parcas iniciativas do governo Eduardo Campos, pois nenhuma política estrita de desenvolvimento para a educação foi apresentada. Ainda não sabemos exatamente qual a proposta concreta e quais são as metas do governo, mas vemos gestos isolados sendo apresentados como se fossem os grandes restauradores de nossa educação.

Saímos de uma greve sem avanços concretos e entramos em um processo de reposição de aulas absurdo e irresponsável. Estes são sintomas claros de que os problemas estão longe de uma solução.

Mais recentemente, os rumores em torno do projeto de correção de fluxo a ser implantado acabam contribuindo para o descrédito. As telessalas estão sendo apresentadas como se fossem a salvação aguardada para a crise que contribui para os elevados índices de reprovação, evasão e retenção de estudantes na escola por um tempo demasiado. Mas isto não é verdade.

As telessalas não são novidade e o falido “Projeto Avançar”, aplicado durante a gestão Jarbas-Mendonça, não apontou resultados válidos para motivar a insistência em adotar algo nos mesmíssimos moldes. Mas a ressurreição desta receita requentada está a caminho.

Sem promover um debate amplo sobre o projeto, a correção de fluxo à moda Fundação Roberto Marinho será novamente empregada nas escolas da rede estadual. Professores estão fazendo uma “capacitação-relâmpago” para tornarem-se habilitados a atuar como “mediadores” generalistas que presumivelmente deverão estar em condições de orientar os alunos em todas áreas do conhecimento. As turmas contarão com apenas dois desses “professores genéricos” (um trabalhando com as disciplinas exatas e biologia e outro com as humanidades e línguas) e deverão cumprir o programa de todo o ensino médio em apenas 18 meses. Como isso ocorrerá, não se sabe ao certo!

A Secretaria de Educação pretende criar números para preencher alguma prestação de contas ou manobrar os dados sobre os resultados de suas ações. Alunos fora da faixa etária própria das séries escolares concluirão o nível médio de ensino praticamente sem aulas discursivas, sem interação e sem contato com professores. A TV e os vídeos prometem cumprir as atribuições de mestres e o “mediador” será um personagem secundário do processo.

No final de tudo, os alunos serão certificados com o grau secundário, mas será que estarão plenamente habilitados com as competências esperadas em tal nível de ensino? Estarão suficientemente fundamentados para concorrer a uma vaga em universidade pública? Estarão adequadamente instruídos para encarar as exigências de um mercado de trabalho que cobra cada vez mais profundidade na formação de seus candidatos e pretendentes? Estas perguntam carecem de respostas.

A aceleração de fluxo é uma medida paliativa e superficial que não atinge a raiz dos problemas da educação. Ela não impede o retardamento de fluxo em sua origem, pois não diz respeito aos aspectos estruturadores dos graves problemas experimentados do decorrer da aprendizagem.

Mais uma vez, a superficialidade será empregada. Mas os resultados, como não poderiam deixar de ser, também terão como característica a própria superficialidade.

Veremos alunos que passaram pela aceleração correndo contra o tempo depois, pois aceleraram no sentido inverso de uma educação que lhes assegurasse um mínimo de qualidade e resultados efetivos.
Esta aceleração é um atraso.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Decisão do STF pode pôr fim à greve de professores no Maranhão

A paralisação dos educadores da rede estadual já dura 86 dias.
Governo diz que lamenta decisão, mas garante que medida será cumprida.

Os professores maranhenses nos dão uma lição de luta, pois além de sairmos de uma greve de mãos abanando ainda não fazemos nada contra essa pífia reposição de aulas. E quem sai perdendo com tudo isso são os alunos que já têm um ensino de péssima qualidade, se é que se pode chamar de ensino o que acontece nas salas de aula do estado.

E de quem é culpa desse quadro lastimável? De uma coisa tenho certeza, não é só do governo não...

"Milagres" da Unidade Executora

O Diário de Pernambuco de ontem apresentou uma matéria sobre os casos de desvios de verbas em unidades escolares. Seis diretores de escolas foram afastados de suas funções com base nas denúncias de procedimentos irregulares em suas gestões.

A reportagem, contudo, traz algumas informações equivocadas. Mesmo diante de casos de gestões fraudulentas, os repasses de verbas que são administradas pelas escolas não são caracterizados pela regularidade. Segundo o texto do jornal, as escolas recebem verbas mensais que variam entre R$ 2.700 a R$ 19.000, porém esta informação não é verdadeira. Verbas federais, a exemplo dos repasses que financiam o programa "Escola Aberta" são anuais (e não mensais) e devem cobrir todos os custos com a operação do programa, incluindo pagamentos de seus coordenadores e dos ministrantes de atividades durante toda a programação de atividades previstas pelo projeto.

Muitas ecolas estão acumulando débitos em função dos atrasos dos repasses sempre protelados pela Secretaria de Educação.

O uso das verbas é regulado. Algumas exigências chegam até mesmo a onerar as escolas, principalmente quanto às obrigações burocráticas relativas à aquisição de produtos e ingredientes para a merenda escolar - e, vale ressaltar, as verbas para esta finalidade já demoraram além do aceitável neste ano letivo!

A fiscalização sobre os gastos com o custeio das escolas é necessária e tal ação também deveria atingir a própria Secretaria de Educação, afinal, as milionárias - e intermináveis - obras de reformas nas unidades escolares são preocupantes. Os valores declarados de tais obras são espantosos, principalmente diante da constatação de que estes montantes poderiam ser suficientes para realizar muito mais do que aquilo que efetivamente acabam pagando. Para completar o quadro, depois de concluídas, muitas reformas já dão sinais de que foram mal executadas e representam desperdícios grandiosos.

As escolas funcionam sob o cumprimento das Unidades Executoras, que representam meios de determinada autonomia para gerir recursos e até realizar investimentos. Os gestores administram recursos e podem também captar verbas "extras", devendo realizar prestações de contas de suas atividades. As esolas possuem registros de Pessoa Jurídica e contas-correntes vinculadas a certos fundos de repasses de verbas públicas, porém a estrutura administrativa das unidades escolares é sobrecarregada.

Os conselhos instituídos para cooperar e coordenar as escolas e suas atividades são pouco operantes por falta de iniciativa, pela precariedade de sua funcionalidade e também por pura falta de ação da Secretaria de Educação no sentido de implementar o funcionemante destes órgãos.

A aplicação das verbas da educação, portanto, é repleta de complicadores.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Relatividade autoritária

Piores índices de desempenho da educação pública do Brasil,
pior salário do Brasil, "telessalas" restauradas, um calendário de
reposição inviável, uma categoria sem direção sindical autônoma...
apesar disso, os "navegantes" palacianos saem afirmando que estão avançando.


Não há um projeto de desenvolvimento educacional identificável no governo Eduardo Campos e a Secretaria de Educação não possui uma política determinada para enfrentar os problemas do setor.

Enquanto os discursos, os números e as desculpas são apresentados, a crise segue um rumo galopante em direção a um destino que qualquer pessoa lúcida é capaz de prever.

Apesar das evidências do descaso, o governo diz que está trabalhando, seus aliados confirmam e seus sindicalistas dizem "amém"... em suas cômodas posições, eles juram que estão certos e propagam aquilo que chamam de verdade!

Certas verdades parecem relativas... mas certas mentiras são absolutas!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

As "telessalas" e o engodo educacional

No Blog de Jamildo foi postada uma matéria sobre esta arapuca educativa que a Secretaria de Educação insiste em manter através de convênios com fundações espertíssimas.

Clique aqui e confira o texto no Blog de Jamildo e também clique aqui para conferir o que já tratamos a este respeito.

Estatuto do Sintepe

Clique aqui e confira.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ministério Público

Professor, caso não esteja conseguindo cumprir o horário de aula olímpico imposto pela Secretaria de Educação, seja porque não está conseguindo chegar a tempo em uma escola em virtude do fato de ter que se desdobrar realizando aulas em outras unidades escolares ou seja porque não está conseguindo suportar a carga-horária reforçada que não lhe permite tempo para um necessário descanso nem mesmo condições para fazer uma refeição, então pronuncie-se a respeito!

Caso perceba que as reposições das aulas não estão sendo cumpridas com a devida qualidade como resultado da péssima formulação do calendário de reposição, então reclame!

O Ministério Público de Pernambuco mantém um serviço de recebimento de denúncias através da internet. Clique aqui e faça a sua denúncia!

domingo, 12 de agosto de 2007

É FESTA! ALEGRIA, ALEGRIA! HEY!

Na última quinta-feira (09/08/2007), em um debate na Rádio Jornal realizado pelo radialista Ednaldo Santos, sobre a falência da educação em Pernambuco, estavam presentes o profº Paulo Alexandre, o presidente do Sintepe Heleno Araújo e a representante da Secretaria de Educação (SEDUC) Aída Monteiro. Em determinado momento, o profº Paulo questionou a funcionalidade do calendário imposto pela SEDUC para reposição dos dias letivos parados, fundamentando inúmeros pontos irregulares e impossíveis de serem cumpridos. Heleno Araújo, em UNÍSSONO com Aída Monteiro, disse que o calendário poderia ser cumprido sem maiores dificuldades. Chegando a declarar que poderia ser efetuadas aulas de campo e inclusive FESTAS como forma de recuperar esse tempo perdido.


Ontem (sábado 11/08/2007), no final da tarde (algo em torno das 17h:30min) passei em frente a duas escolas estaduais localizadas nas proximidades do Parque 13 de maio, a Esc. Luiz Delgado e a Esc. João Barbalho, a primeira estava fechada e a segunda encontrei alguns alunos no portão. Não me contive e fui conversar com os alunos onde recebi as seguintes informações:

a) A Esc. Luiz Delgado programou suas aulas de sábado para: sábado sim e sábado não;

b) A Esc. João Barbalho estava funcionado precariamente, onde existem 15 turmas por turno. No turno da tarde apenas 7 salas estavam funcionado parcialmente. O motivo alegado é a falta de professor nas chamadas disciplinas críticas.


Com base nessas 15 turmas, e pegando o gancho dado por Heleno Araújo para reposição das aulas, as chamadas FESTAS, elaborei o seguinte calendário para aulas aos sábados:

  • Turma 1: Forró – aula ministrada pelo cantor Santana; música: Bote Tempo; tema: como o título já diz o Tempo.
  • Turma 2: Brega – aula ministrada pela banda Matruz com Leite; música: Bomba no Cabaré; tema: a degradação da mulher.
  • Turma 3: Rock n’roll – aula ministrada pelo cantor Elvis Presley; música: My Way; tema: o questionamento sobre as nossas ações. (ps. Essa aula só poderá acontecer após uma sessão de mesa branca para a invocação do espírito de Elvis).
  • Turma 4: Punk – aula ministrada pela banda System of a Down; música: Hypnotize; tema: a cultura de massa.
  • Turma 5: POP – aula ministrada pela banda U2; música: Sunday Bloode Sunday; tema: a condição política na Irlanda.
  • Turma 6: MPB – aula ministrada pelo cantor Chico Buarque; música: Construção; tema: a condição degradante do trabalhador brasileiro.
  • Turma 7: Pagode – aula ministrada pelo cantor Zeca Pagodinho; música: Pra São Jorge; tema: o sincretismo religioso.
  • Turma 8: Tecno – aula ministrada pelo DJ Moby é só deixar rolar.
  • Turma 9: Gospel – aula ministrada pela banda Metal Nobre; música: qualquer música q louve a Deus.
  • Turma 10: Hard Core – aula ministrada pela banda CPM 22; música: Amigos Perdidos; tema: o valor da amizade.
  • Turma 11: EMOCORE – aula ministrada pela banda Green Day; música: Americam Idiot; tema: critica a política norte-americana.
  • Turma 12: Rap – aula ministrada por Marcelo D2; música: Carta ao Presidente; tema: a política brasileira
  • Turma 13: Sertaneja – aula ministrada por Chitãozinho e Xororó; música: Planeta Azul; tema: a ecologia.
  • Turma 14: Axé – aula ministrada pela cantora Ivete Sangalo; claro que a música só pode ser FESTA.
  • Turma 15: Manguebeat – aula ministrada pela banda Nação Zumbi; música: Banditismo por uma questão de classe; tema: a violência em Pernambuco.

Obs 1: Esse calendário só é válido para as turmas da manhã e da tarde. As turmas da noite o diretor pode realizar uma mini Rave.

Obs 2: O problema vai ser pagar o cachê desses artistas com essa hora/aula que o Estado de Pernambuco nos remunera. Já que a proposta foi de Heleno Araújo, ele que procure resolver essa questão.

Cargos comissionados e os assessores "especiais"


Não é nenhuma novidade... isso existe em todos os governos, mas não dá para deixar de comentar: o governador Edurado Campos possui oito assessores "especiais" (embora de especialidade duvidosa) em cargos comissionados.
O secretário-chefe da dita Assessoria Especial recebe mensalmente R$ 7.000,00 e cada um dos demais recebe R$ 3.700,00. Ao todo, a assessoria custa aos contribuintes pernambucanos, por mês, o equivalente aos salários de cerca de 70 professores com 150 horas/aula (já considerando o "avançado" aumento de 5%).

Qualquer um sabe quais são as atribuições de um professor, mas nem sempre sabemos o que um assessor faz exatamente. As funções desempenhadas por estes assessores especialíssimos são curiosas, pois há entre eles quem tenha como "trabalho" manter o governador esclarecido sobre os assuntos pertinente à religião do próprio beneficiado pelo cargo (este é o caso do "assessor", ex-deputado e pastor evengélico Francisco Olímpio). Os demais cumprem funções que poderiam ser desempenhadas por funcionários do Palácio ou por alguém nas várias secretarias de governo. Vale registrar: as relações de amizade e parentesco entre os nomeados e outros políticos conhecidos chamam a atenção!

A farra dos cargos comissionados continua causando seus estragos. Daí, cabe-nos as perguntas:
1- Quantos cargos comissionados existem no Executivo estadual?
2- Em quanto estas sinecuras (emprego ou cargo rendoso) oneram os cofres públicos?

De forma "transparente", estes dados deveriam ser anunciados para os pagantes destes salários, ou seja, para todos nós!

Jornal do Commercio (11 de agosto)


Fazendo umas correções na nota publicada na coluna "Repórter JC":
  • Eu, Paulo Alexandre da Silva Filho, professor de História da rede estadual também estive no debate em questão!
  • Durante o debate, como ressalta o texto, até a direção sindical defendeu o programa de reposição de aulas enquanto as questões críticas a respeito da reposição das aulas foram feitas apenas por mim.
  • O Sintepe é o legítimo órgão representativo dos trabalhadores em educação, mas sua direção não é a única interlocutora da categoria. A base da categoria também tem voz e também se expressa. Como integrante da base, eu participei do debate - e, sem negar, sendo também ligado ao grupo que faz oposição à atual direção do sindicato.

Cansei?!


UMA REFLEXÃO PARA O DIA DOS PAIS

por José Ricardo de Souza
Historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista


Acordar cedinho para ir ao trabalho. Esta é rotina de milhares de homens espalhados pelo Brasil. Sob a sua responsabilidade, o peso de arcar com o sustento material de uma casa, proporcionar à esposa e aos filhos um mínimo de bem-estar, conforto, segurança e estabilidade. Zelar para que não falte isso ou aquilo, se preocupar quando vêm o final do mês e com ele as intermináveis contas a pagar ... Como é difícil ser pai em nossos dias. É verdade que as mulheres são muito importantes no contexto da família, mas deixe-me falar do homem, do pai, do verdadeiro pai. Aliás, já notaram como a sociedade comemora muito mais o dia das mães do que o dia dos pais ? Que pena, perdemos uma oportunidade ímpar para demonstrar nossa gratidão e respeito a este nosso herói, aquele que primeiro assumiu o compromisso de nos manter, cuidar, educar, dar a nós, como filhos, o melhor de si, ainda que em meio aos cansaços e estresses da vida. Como é bonito um pai carregando um filho nos braços, é a vitória da vida, que teima em renascer e aparecer a cada dia e a cada momento.

Antigamente, quando a televisão não ocupava o lugar principal da sala, e as famílias iam para os terraços e alpendres, havia entre pais e filhos maior diálogo, mais respeito e muita compreensão. Eram tempos bons aqueles, em que uns se conheciam aos outros, e tanto pais como filhos podiam partilhar do aconchego de um lar verdadeiramente feliz. Havia brigas, divergências, é claro, mas todos sabiam como sair-se delas sem machucar, nem ferir ninguém, porque havia a lógica do perdão, o reconhecimento da ternura singela que permeava a relação pais e filhos. Passado o tempo da felicidade, vieram as mudanças da vida moderna, e a família nunca mais foi à mesma, perdeu sua estabilidade após a Lei do Divórcio, e ficou menos articulada quando o vídeo substituiu a cabeça que pensava, falava e aconselhava no meio familiar.

Quem perdeu com tudo isso foram nossas famílias, que hoje são constantemente agredidas pelos falsos valores da novela, pelo programa que incita a violência gratuita e o bate-boca, pelo casal que transa sem respeitar as nossas crianças que estão na sala. E como se não bastasse tudo isso, ainda temos um governo que pouco faz para garantir o bem-estar de nossas famílias, jogadas numa sociedade violenta, poluída, sem uma política de educação, saúde e habitação, que exclui do mercado de trabalho milhares de brasileiros. O conceito de família é diluído entre falsos valores que pregam o liberalismo sem responsabilidades, o amor que não assume compromissos. O resultado está nas Varas de Família, onde centenas de mulheres buscam legalmente a pensão, que irresponsavelmente os ex-esposos se recusam a pagar. Ninguém mais fala em casamento, "juntam-se os troços" e está feita a família, que na maioria das vezes, se abriga na casa de um dos pais do casal.

A sabedoria popular costuma dizer que "um pai trata dez filhos, dez filhos não tratam um pai", não seria este um alerta da nossa ingratidão para com aqueles que tanto nos estimam ? O que falta então para romper com essa nossa falha, enquanto filhos, pois como podemos celebrar o Pai celeste, esquecendo do pai terreno que Deus nos confiou como benção e dádiva divina ? No Dia dos Pais, não exagere na importância de se dar um presente, pois o maior e melhor presente é a sua presença com o seu "Querido Velho". E caso o Pai Celestial tenha chamado para si seu pai terreno, não esqueça de que uma oração é sempre bem recebida no outro lado, afinal Deus ouve com carinho a oração de um filho, que aqui da Terra, ora pelo seu pai, que está lá nos céus.


PS.: deixo registrada minha homenagem póstuma a meu pai, José Rozendo de Souza: "Pai, descanse em paz, Amém".

Fonte: Folha de Pernambuco, edição de 10 de agosto de 2003